Arquivo mensal: outubro 2011

Salve, salve!!!

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É festa…!…Salve, salve minha gente, saiam às portas e janelas, venham ver o grande cortejo passar. No ar, de sua boca encarnada, menino dragão, cospe um sol em noite de Estrela Dalva… Pedrinha alva… Brilhosa… que no verão dos Inhamuns é viçosa e ilumina o vosso passar.  Sobre este solar cenográfico desfila a grande serpente… É gente… É gente! Da espécie alegre dos artistas: atores, palhaços, bonequeiros, malabaristas… O saxofonista puxa uma melodia em dó. De có, a multidão cantarola a canção dos alegres.

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VI Festival dos Inhamuns. Sobre o caminho…

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Em 2011 o festival dos Inhamuns caminha para sua sexta edição, consolidado como o principal evento do gênero ─ circo, bonecos e artes de rua ─ do Ceará e um dos mais significativos do Brasil. Fruto de uma feliz e raríssima política pública daquelas que transcendem ( ou deveriam transcender) à mera e furtiva política de governo, este festival nasceu em maio de 2005, pensado como um espaço público de produção cultural que dialogasse com o universo artístico local. Sete anos e seis edições depois, podemos dizer que: O dialogo aconteceu… Multilateral, na horizontal, de igual pra igual, expansivo e dilatado. E pariu resultados. Nós da Arte Jucá crescemos com a produção deste evento, percorrendo um caminho que nos levou de “aprendiz a feiticeiro”.

Aprendiz: sempre atentos a tudo e a todos, fervilhamos como formiguinhas pelos meandros da produção com uma sede de aprender e subverter. Criamos a “produção amiga”, o robótico foi abolido da relação produtor/artista por aqui.

Feiticeiro: assumimos o leme de um barco que deveria navegar os céus. Para isso seria preciso magia, alquimia… Ousadia. Sempre sonhamos muito. Beirando o utópico, exaltados, quase histéricos, nossas reuniões de “produção” mais parecem um pregão de feira, um espetáculo de rua. Por isso o chamamos entre nós de: a festa! Da alegria utópica e exaltada à decepção reflexiva, quando chega a hora de fazer as contas e cair na real: a grana curta, em queda livre nos últimos anos, resultado de equivocados maniqueísmos de governo, queimam as nossas asas de Ícaro e nos impedem de chegar mais perto do sol. Mas decepção não é sinônimo de desânimo por aqui. Esta é uma festa de artistas da rua, bonequeiros, circenses… A margem não nos assusta mais no Brasil. O chapéu gira com dignidade, nele tem sido depositada generosidade e parceria. Isso tem garantido a alegria, mas não significa a anulação de nossa indignação, de nossa intenção e coragem de lutar. Tanto que nos últimos anos o festival vem se auto-denominando um encontro estético, solidário e… Politico. Não a politica burra das facções político-partidárias, mas a politica que, remetendo-se à gênese desta palavra, pressupõe o debate critico. De cá, emana um grito de ordem: SOLIDARIEDADE, CONSCIÊNCIA DE CLASSE, FORÇA!

Desde o princípio havia a convicção do caminho, o novo, o original era o norte. Não chegamos a ele ainda, a jornada apenas começou e é, exatamente, isso que faz do Festival dos Inhamuns um microcosmos instigante, porque está sempre em construção; uma obra que nunca acaba, pensada dentro de cada edição, nas rodas programadas e/ou nas cirandas casuais que por aqui giram frenéticas e poéticas. Instigante porque continua sendo construído em conversas travadas para além de nossas fronteiras (Recife, Natal, Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro), como num dialogo de galos, traçando uma teia plural de informações que conecta o nosso quintal ao mundo e, trazendo o mundo ao nosso terreiro, faz do festival (do sertão) dos Inhamuns um recanto universal.

 

                                                                                   Por… Antonio Robson Cavalcante 

                                                                                                    Coordenador Geral